NO TRABALHO

#VidasNegrasImportam – Como a Sua Empresa Pode Contribuir para Combater o Racismo?


Diante das tensões provocadas pelo assassinato brutal de George Floyd nos EUA, manifestantes em prol da justiça e do fim da violência contra negros receberam um “apoio” um tanto inesperado: o das grandes corporações. Empresas como Nike, YouTube, Twitter e Netflix postaram mensagens de apoio chegando até a denunciar o silêncio de outras empresas. Contudo, esse mesmo apoio gera uma enorme desconfiança por parte daqueles que são mais engajados, que por sua vez questionam: “onde vocês estavam nos últimos 30 anos?”

Publicação feita pela Netflix Brasil: ” #vidasnegrasimportam em qualquer lugar do mundo “

“Sua hipocrisia não vê limites” afirmou o grupo Sleeping Giants em resposta ao YouTube. O grupo ciber-ativista, que há 1 mês atua no Brasil expondo as empresas anunciantes de sites de fake news, acusou a empresa por “fazer o máximo possível para evitar remover vídeos de cunho racista”.

O “problema” de tomar posicionamento diante de uma causa socioambiental é que as empresas precisam conectar essas boas intenções ao seu negócio. Do contrário, ficarão somente no discurso e isso será rapidamente notado pelos seus consumidores e pela sociedade civil. Não há mais lugar para se esconder.

Se posicionar diante de uma causa vai muito além de publicidade em redes sociais.

Se você trabalha em uma empresa e deseja cobrar que ela se posicione ou que contribua para o combate ao racismo, procure entender que combater o racismo começa dentro da própria empresa.

1. CONTRATE PESSOAS NEGRAS

As diferenças raciais no mercado de trabalho mudaram pouco nos últimos anos e as que mudaram, mudaram graças a políticas internas voltadas para o estímulo a representatividade dentro da empresa. Empresas como a IBM, a P&G e a Verizon são exemplos de empresas que buscam alcançar metas de representatividade dentre o seu staff. Contudo, segundo a pesquisa “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil” conduzida pelo IBGE em 2019 a população branca sofreu menos com o desemprego e manteve mais a sua renda do que a população negra no mesmo período. 73% é a diferença entre a renda média dos brancos e a renda média dos negros no Brasil (2018-2019).

73% é a diferença entre a renda média dos brancos e a renda média dos negros no Brasil (2018-2019).

2. COBRE REPRESENTATIVIDADE NOS CARGOS DE LIDERANÇA

Um estudo conduzido pela Universidade da California comprova que negócios administrados por pessoas negras tendem a contratar mais pessoas negras. As políticas de estímulo a representatividade não devem se limitar a serem políticas de contratação. Se já existem diferenças gritantes entre o número de pessoas brancas e negras com empregos formais, essas diferenças se tornam ainda maiores se considerarmos os cargos de liderança. No Brasil, um país de maioria negra e parda, este grupo ocupa menos de 5% dos cargos executivos nas empresas.

Acima, Marcelo Leal, Solange Sobral, Roberta Anchieta e Maurício Rodrigues: profissionais negros em cargos de destaque em suas empresas. Infelizmente, uma raridade.

3. NÃO TOLERE RACISTAS

As redes sociais se tornaram uma vitrine, através da qual se pode acompanhar o que as pessoas fazem, pensam ou compartilham. Ao mesmo tempo, pode ser uma vidraça para quem se expõe no ambiente virtual sem medir as consequências. Se pessoas engajadas em causas de voluntariado, em ONGs de animais, campanhas de agasalho, que praticam esportes, fazem jardinagem, por exemplo, podem ser bem vistas pelo mercado de trabalho através do que compartilham, pessoas que apresentam comportamentos violentos também podem – e devem – sofrer consequências desse comportamento em ambiente profissional.

Pessoas que usam as redes sociais para destilar ódio e comportamento violento não devem ser toleradas por empregadores de empresas que buscam contribuir para uma sociedade mais justa. Acima, uma foto postada pela atriz Taís Araújo e os ataques racistas que ela sofreu.

4. QUEBRE ESTEREÓTIPOS

Ainda hoje, a população negra um dos grupos sociais menos representados na publicidade e na mídia.  De acordo com o estudo TODXS – Uma análise de representatividade na publicidade brasileira, feito pela agência publicitária Heads em parceria com a ONU Mulheres, a publicidade brasileira ainda reforça estereótipos e continua a não representar a real diversidade da sociedade. Foram monitorados 2.149 comerciais veiculados nos canais de televisão de maior audiência do país durante uma semana. O melhor resultado foi entre as protagonistas negras, que chegou a 25% de participação nas peças publicitárias. Para além da diversidade, existe a questão dos estereótipos e clichês, dentre eles, a figura cristã do “homem branco salvador” – aquele que esta no centro das atenções e é responsável pela felicidade da pessoa negra – é bastante frequente nos comerciais e telenovelas que tratam de questões raciais.

O comercial de Natal de 2018 da Perdigão reforça a dificuldade das empresas em representar a população negra fora dos estereótipos.

5. AJUDE A PROMOVER O MOVIMENTO NEGRO

Doar dinheiro, produtos, serviços, criar espaços de participação em debates públicos para os movimentos que lutam pela justiça social e contra o racismo, é uma forma de uma empresa contribuir para a causa. Mas antes disso é preciso sair do pedestal e permitir que os movimentos assumam o protagonismo e a voz – o que muitas empresas não fazem, pois estão mais preocupadas com a reputação de sua marca do que com as causas em si.

40 anos de luta: acima o Movimento Negro Unificado.

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