TECNOLOGIA

Setembro Amarelo: As Tecnologias de Prevenção ao Suicídio


Além de cada vez mais jovens, os suicídios são em sua maioria cometidos por um público tecnologicamente engajado, o que nos leva a seguinte questão: qual o papel da tecnologia no estímulo e na prevenção ao suicídio?

A relação do suicídio com a tecnologia é uma relação de prós e contras. Apesar de ser um fator gerador de ansiedade e depressão a tecnologia pode servir ferramenta de prevenção ao suicídio.

Desde 2015, os meses de setembro alertam para a prevenção ao suicídio: o setembro amarelo. Sintomas como a ansiedade e a depressão, antes vistos como “frescura”, têm ocupado cada vez mais o centro dos debates sobre doenças e transtornos do cérebro que podem levar o sujeito a cometer suicídio. No mundo, a cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida (dados OMS) enquanto no Brasil, são 32 ao dia, em grande maioria, jovens dos 15 aos 29 anos de idade (dados OMS) com nível de escolaridade médio para alto (de 4 a 11 anos de estudos).

Desde 2015, os meses de setembro marcam a campanha Setembro Amarelo, lançada pela Organização Mundial de Saúde para alertar sobre a prevenção ao suicídio.

Para esses jovens, as redes sociais trazem um ingrediente novo: a constante necessidade de aprovação social. A prática do bullying que antes se restringia ao ambiente escolar agora pode acontecer 24 horas por dia. Segundo estudo realizado pela instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health, em parceria com o Movimento de Saúde Jovem, os casos de ansiedade entre usuários de redes sociais dos 14 aos 24 anos aumentaram em 70% nos últimos anos (relatório RSPH). O estudo também revelou que o compartilhamento de fotos pelo Instagram impacta negativamente o sono e a autoimagem do jovem. 

Segundo pesquisa da Royal Society of Public Health, 91% dos jovens entre 16 e 24 anos utilizam a internet como ferramenta de socialização.

O outro lado dessa moeda é que as mesmas tecnologias, utilizadas como ferramentas de socialização pela maioria dos jovens, pode também ser utilizada na redução dos transtornos da ansiedade e da depressão e na consequente prevenção do suicídio. Este é o caso do aplicativo Tá Tudo Bem criado pela analista de sistemas Aline Bezzoco, que oferece ao usuário diversas funcionalidades como botões emergenciais de ajuda, escritas terapêuticas, ferramentas de meditação etc..  

Assim como o app da Aline, reuniremos nesta lista outras exemplos de inovações bem sucedidas na prevenção ao suicídio.

1. TÁ TUDO BEM

O aplicativo se baseia na prevenção ao suicídio a partir da sua desmistificação, trazendo informações e acesso direto e rápido à ajuda, a fim de eliminar os tabus e preconceitos que isolam ainda mais quem está sofrendo e pensando em tirar a própria vida. O app oferece, além de informação, uma série de ferramentas de apoio, como um botão de emergência que liga automaticamente para o CVV, no telefone 188, uma lista de razões para viver, notificações diárias de apoio emocional, e o mais especial: uma lista de contatos de emergência.

Acima, Aline Bezzoco, criadora do app Tá Tudo Bem.

2. TALKSPACE

Fundado em 2012, o aplicativo conecta o usuário a terapeutas licenciados. Com planos de tratamento que começam na faixa dos 30 dólares, o Talkspace já tratou mais de meio milhão de usuários, dentre eles, a lenda da natação Michael Phelps, que se voluntariou para promover a marca e alertar para a prevenção ao suicídio.

3. SOS VIDA AMAPÁ

Lançado no final de 2018 o app já recebeu mais de 200 pedidos de ajuda. O SOS Vida Amapá oferece auxílio para quem sofre de transtornos e pensa em se suicidar. Através de um “botão do pânico”, três pessoas cadastradas são acionadas para ajudar no momento da crise. Caso nenhuma das três pessoas estejam disponíveis o app aciona automaticamente o Centro de Valorização à Vida pelo número 188.

O app está disponível para download gratuito nas plataformas Android e IOS.

4. ADA HEALTH

Ada Health é uma empresa multinacional de saúde criada por médicos, cientistas e especialistas para colocar a saúde personalizada nas mãos de todos. A Ada conecta o conhecimento médico com a inteligência artificial para ajudar as pessoas a gerenciarem sua saúde física e mental. Este app, que começou tendo um escopo mais voltado para as doenças do corpo, começou a receber chamadas de pacientes com transtornos mentais e tendências suicidas. Como resultado, ele passou a incluir uma ferramenta específica de prevenção ao suicídio, que sugere à pessoa a fazer contato com centros de prevenção ao suicídio e até acionam hospitais e ambulâncias automaticamente, dependendo do caso.

5. MY 3 APP

Desenvolvido na Califórnia durante uma campanha estadual de prevenção ao suicídio, o My3App conecta os usuários a contatos cadastrados no evento de uma crise, além de oferecer uma série de ferramentas informativas customizadas por perfil, por exemplo, jovens LGBT’s, veteranos de guerra, mulheres vítimas de abuso sexual, etc.

Acima, um screenshot do My3App

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