NO TRABALHO

Precisa-se de Trans: As Empresas que Estão Começando a Apostar na Diversidade


Na semana passada, as Lojas C&A disponibilizaram mil vagas de empregos para transgêneros em todo o Brasil. Menos de um dia após o anúncio das vagas muitas pessoas já se reuniam nas redes sociais na tentativa de promover um boicote à organização acusando-a de estar impondo uma “ideologia de gênero”. O mesmo aconteceu há meses atrás quando a mesma marca lançou a campanha Dia dos Misturados, em prol da diversidade e da inclusão social.

 

A tentativa de boicote nas duas ocasiões reflete um preconceito que se resume numa estatística sombria: o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo, um a cada três dias (Anistia Internacional, 2017). Tamanha violência é possibilitada pelo grau de vulnerabilidade em que vivem essas pessoas, cerca de absurdos 82% da população de transexuais e travestis abandonam o ensino médio e suas casas antes de completar 18 anos (OAB) devido à discriminação em casa e na escola.

A falta de qualificação e o preconceito proporcionam pouca ou nenhuma alternativa de inserção no mercado de trabalho para a população trans, por isso, muitos recorrem à prostituição. Sua expectativa de vida atualmente é de assustadores 30 anos de idade.

 

Foto tirada durante o evento de lançamento do programa Trans + Respeito, ocorrido em 2017 no Centro do Rio de Janeiro.

 

Apesar de ainda haver pouquíssimas alternativas de empregos para transgêneros, os últimos 4 anos apresentaram um aumento significativo dessa oferta, chegando a 300% a mais . Os números são do site Transempregos, criado em 2014, com objetivo de promover a inserção de pessoas trans no mercado de trabalho. No ano em que foi criada, somente 12 empresas a utilizavam, hoje, são 46 empresas.

Esse movimento de inclusão de pessoas trans pelas grandes corporações, ainda que embrionário, é o resultado de anos de luta por parte dos movimentos sociais pró LGBT e pelos Direitos Humanos que nas últimas décadas vêm conseguindo, através de campanhas de conscientização e iniciativas como a do site Transempregos, levar o debate para a esfera pública e corporativa.

 

Acima, Maite Schneider, co-fundadora do Transempregos

É certo que ainda existem muitas barreiras a serem superadas, como o próprio preconceito dentro do ambiente corporativo, contudo, algumas empresas já se colocam predispostas a uma mudança cultural, o que é bom para a empresa e para a sociedade.

OBS: segundo levantamento realizado pela consultoria McKinsey em 2015 com 350 empresas do mundo todo, empresas com maior diversidade de gênero e raça obtém 35% a mais de retorno do que suas concorrentes.

Listamos aqui algumas das empresas que estão dando um primeiro passo em direção a um mercado de trabalho mais inclusivo para as pessoas trans.

 

1. LOJAS C&A

A rede de lojas C&A, em parceria com a Transempregos, está disponibilizando mil vagas de empregos para transgêneros em todo o Brasil. Segundo o anúncio das vagas, a empresa acredita na inovação e tendências democráticas da moda atual e por isso pretende diversificar seu quadro de funcionários.

 

 

2. CARREFOUR

Ao contrário de muitas empresas, antes de levantar uma bandeira e se posicionar sobre um tema, a Rede Carrefour estruturou um comitê de diversidade e trabalhou em um processo interno de mudança de cultura e inclusão. A empresa lançou no ano passado um curso de capacitação em varejo com o objetivo de preparar profissionais transgêneros para ingresso no mercado de trabalho.

 

 

3. KPMG

Quando um dos sócios-diretores da consultoria multinacional KPMG decidiu assumir publicamente sua identidade feminina, todos os funcionários receberam um comunicado da empresa. Todos foram informados que havia uma colega trans na companhia e que ela seria tratada com respeito. Meses depois, em outubro de 2017, durante evento para 400 pessoas, Danielle Torres, subiu ao palco para se apresentar aos colegas, com os quais, na verdade, trabalhava havia mais de dez anos. Ela diz que só foi possível afirmar sua nova identidade de gênero por ter recebido apoio e aconselhamento da empresa por quase um ano.

 

 

 

4. BANCO DO BRASIL

Mesmo sem a obrigatoriedade legal, o BB entendeu no ano passado que aceitar a utilização do nome social pelos travestis e transexuais nas suas agências sinaliza seu respeito pelas individualidades e reconhece a riqueza da diversidade na construção de um ambiente de trabalho mais igualitário. A iniciativa serva tanto para profissionais quanto para clientes do banco, que se tornou a primeira instituição financeira do país a normatizar o tema.

 

 

 

5. PEPSICO

Em parceria com a marca Doritos, da PepsiCo,  a ONG Casa 1, que acolhe membros de grupos LGBT em situação de vulnerabilidade capacitou 600 pessoas no ano passado em áreas variadas, como idiomas, costura, cozinha e maquiagem.  No mesmo ano a PepsiCo contratou dois profissionais transgêneros que passaram por esses cursos.

 Uma edição especial de Doritos esteve no mercado no ano passado, revertendo as vendas para a Casa 1 e outras organizações selecionadas.

 

 

 

6. GOOGLE

No dia 30 de julho deste ano, aconteceu, no Google Campus São Paulo, a primeira edição do programa Womenwill voltada para mulheres transgênero. A iniciativa, que é voltada para mulheres de todo o país criarem suas próprias oportunidades econômicas através da palestras e workshops, pela primeira vez, contemplou o universo das mulheres trans. O treinamento neste ano foi desenvolvido em parceria com a Transempregos e com a Rede Mulher Empreendedora.

 

 

 

 

 

 

 

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