NO MUNDO

Os Países que Mais Investem no Meio Ambiente


Para marcar o retorno das nossas postagens semanais aqui no blog H2H, vamos abordar um assunto que esse ano foi tema de brigas e debates acalorados: o investimento em políticas ambientais.

O ano de 2019 foi, segundo a Nasa, o pior ano de queimadas da Amazônia.

O aumento significativo já comprovado das queimadas na região amazônica trouxe para a esfera de debate popular uma questão: qual a importância das políticas ambientais para a economia de um país e para o mundo? Qual o preço que pagamos pela sua ausência?

Existe um entendimento amplo e antiquado de que políticas ambientais representam entraves para os negócios e para a economia de um país. Essa é uma visão míope, que falha ao enxergar, a longo prazo, os impactos não somente das catástrofes climáticas, mas também da escassez de recursos naturais básicos que dificultará cada vez mais o funcionamento de linhas de produção não sustentáveis.

Impactos ambientais não têm fronteiras, afetam a todos, portanto, a todos interessam a preservação do meio ambiente. Um exemplo disso é a nossa floresta amazônica, uma região responsável pela regulação do clima de vários lugares do mundo dada a sua enorme capacidade de armazenamento de carbono. O impacto social, ambiental e econômico de sua devastação é amplo e se faz sentir em diversas localidades do planeta.

Acima, um protesto de cientistas norte-americanos contra o negacionismo científico. Uma das figuras mais ilustres que negam a existência do aquecimento global é a do atual presidente dos EUA Donald Trump.

Hoje se faz necessário fazer menção àqueles que, em tempos de “terraplanismo”, negam as mudanças climáticas e a necessidade de políticas ambientais, acusando-as, de serem parte de um “esquema” ou de um “projeto de poder” inimigo. O problema desse tipo de argumentação é que ela leva o debate sobre políticas ambientais para um nível rasteiro, polarizado e pouco produtivo.

Que fique claro, portanto, que não pretendemos aqui dar ibope para teorias conspiratórias que em nada acrescentam.

Fato é, que do jeito que a sociedade caminha hoje, no longo prazo, os danos à humanidade serão irreversíveis. Enfrentaremos processos de desertificação, esgotamento de recursos naturais tais como a água e insumos agrícolas , além de catástrofes climáticas cada vez mais intensas e letais.

Acima, o recente incêndio que devastou grande parte da Austrália, o maior de sua história. As perspectivas para o futuro não são nada boas.

Sendo assim, veremos abaixo os países que estão começando a entender que políticas ambientais são um investimento para o futuro e não uma despesa. O índice EPI (Environmental Performance Index) é um levantamento bienal realizado pelo Centro de Pesquisas Ambientais da Universidade de Yale que determina quais os países líderes em políticas ambientais efetivas.

Listamos aqui os países que lideram o ranking.

1. ISLÂNDIA

Conhecida como “Terra do Fogo e Gelo” pelo forte contraste geológico, a Islândia abriga em seu território mais de 170 geleiras, lagos e piscinas geotérmicas, além da poderosa atividade vulcânica (o país abriga alguns dos maiores vulcões do mundo). Além do uso de fontes energéticas renováveis em quase toda a sua extensão, a Islândia também se destaca pelos bons índices de qualidade de vida, igualdade de gênero, saúde e educação.

Acima, uma das usinas geotérmicas da Islândia. Elassão fontes de energia pouco poluentes que se utilizam do calor vindo do interior do subterrâneo para suprir o frio constante (foto: Ami Saeberg)

2. SUÍÇA

Considerado o país mais verde do mundo, a Suiça esta sempre no topo do ranking, principalmente, pela redução de uso de combustíveis nucleares, sendo ainda recordista em usinas geotérmicas. O país também se destaca pela qualidade do ar, políticas ambientais e projetos de redução de emissão de dióxido de carbono. Além disso, há um forte investimento em educação ambiental desde o ensino primário, o que faz toda a diferença a longo prazo.

Alimentos feitos de insetos fazem sucesso na Suíça com apelo à sustentabilidade (BBC)

3. COSTA RICA

O Brasil com 8,5 milhões de km2 hoje abriga 20% das espécies do planeta enquanto a Costa Rica, com os seus modestos 50 mil km2 abriga 5%, uma média por m2 muito superior a nossa. Poucos sabem, mas até a década de 70, cerca de 80% das florestas costa-riquenhas haviam sido destruídas pelo agronegócio, especialmente pela criação de gado. De lá pra cá os sucessivos governos decidiram investir em preservação, pois entenderam que manter a floresta em pé seria muito mais lucrativo para o país e para o seu povo. A partir de então produtores rurais e comunidades tradicionais passaram a receber dinheiro para restabelecer e preservar a vegetação nativa. Hoje, quase 50 anos depois, mais da metade do território nacional é coberto por florestas e 25% abriga parques nacionais e áreas protegidas.

A Costa Rica também é um exemplo na redução da emissão de CO2

4. SUÉCIA

Você sabia que o primeiro shopping de reciclados do mundo surgiu na Suécia? Ele se chama Re-tuna Recycling Center e fica em Eskilstuna. O país é também pioneiro no Movimento Slow, que questiona a pressa em fazer as coisas e o desejo de ter em contraponto à qualidade de vida. Como resultado de um estilo de vida que preza pelo bem-estar coletivo, hoje, apenas 1% do lixo produzido pelos suecos vai para lixões, o restante é reciclado, reutilizado ou transformado em energia renovável.

A cidade sueca de Malmo (acima), venceu o prêmio europeu de mobilidade sustentável com o seu investimento em bicicletas compartilhadas e a priorização de pedestres.

5. NORUEGA

A Noruega é outro país escandinavo conhecido por suas belezas naturais e sua responsabilidade ambiental. No caminho para se tornar o primeiro país totalmente movido por energia limpa, no momento, cerca de 96% da eletricidade consumida é renovável e centenas de milhares de carros elétricos estão em circulação. Com incentivo e intervenção do governo norueguês, que se preocupa com o tema, o país estabeleceu que, a partir de 2025, os carros movidos à combustíveis fósseis deixarão de ser usados. Essa é a meta mais curta do mundo.

Mais de 50% dos carros na Noruega já são abastecidos por energia elétrica.

6. ILHAS MAURÍCIOS

A pequena ilha localizada próxima à costa de Madagascar, na África, se destaca pela preocupação com as desigualdades sociais, investindo quase metade dos recursos públicos em saúde, educação e seguridade social. As normas ambientais também são rígidas e devem ser cumpridas por todos os cidadãos tais como o balanceamento da dieta para impedir que a biodiversidade local seja afetada. e nenhum país está imune às consequências das mudanças climáticas, lugares como Maurícios são ainda mais vulneráveis. Segundo relatório do National Climate Change Adaptation Framework (NCCAPF). O documento incluiu previsões preocupantes para o futuro deste paraíso como a informação de que 50% das praias podem desaparecer até 2050.

As Ilhas Maurícios é um dos arquipélagos mais cobiçados por turistas no mundo.

7. FRANÇA

Na França, há tempos já existe grande incentivo governamental ao uso de bicicletas. Além disso, o país aprovou em maio de 2015 uma lei que proíbe o desperdício de comida nos mercados o que fez do país uma referência no quesito sustentabilidade alimentar.

Na França, o desperdício de alimentos é severamente punido.

8. ÁUSTRIA

Poucos sabem, mas 46% do território austríaco é coberto por florestas. As políticas ambientais são rígidas e o desmatamento é praticamente nulo. Em 2018, Viena foi considerada a cidade com a melhor qualidade de vida do mundo (estudo realizado pela consultoria Mercer). Lá, o sistema de transporte público é usado por mais de 90% da população e o investimento em energia solar é bem alto, existem cerca de 300.000 m2 de painéis solares espalhados pela cidade. Além disso, existe uma biblioteca onde você pode alugar quase tudo, de bicicletas à cameras de fotografia, não é uma ideia legal?

Viena foi eleita em 2018 a cidade com a melhor qualidade de vida do mundo

9. CUBA

O que Cuba foi obrigada a fazer por necessidade, o mundo vem, aos poucos, se conscientizando de que é o melhor caminho a seguir. Uso de fertilizantes microbianos fabricados localmente, cultura de minhocas, reciclagem de resíduos, controle biológico de pragas, a compostagem e outras práticas sustentáveis, gerou no controverso país o aparecimento de uma agricultura orgânica de massa. O país é hoje a maior referência do mundo em sustentabilidade na agricultura.

Cuba: a criatividade é filha da escassez.

10. COLÔMBIA

A Colômbia é hoje um dos países mais promissores do mundo, com crescimento econômico constante nos últimos anos e um acordo de paz com as FARC que terminou um conflito interno que durava 50 anos. Enquanto isso, Bogotá e Medellin crescem de maneira moderna, sendo exemplo de bom design urbano e sustentável. Em Barranquilla o governo local optou pela tecnologia do gás natural para seus respectivos serviços de ônibus. Isso também vem acontecendo em Bogotá cujo investimento na aquisição dos novos ônibus foi de aproximadamente US$ 9,5 milhões, sendo que as empresas fornecedoras de gás natural contribuíram com US$ 12 mil por ônibus para incentivar o mercado desse combustível.

Na Colômbia, a sustentabilidade move o transporte.

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