NO TRABALHO

Gentileza Gera Gentileza: As Empresas que Cuidam de Pessoas em Situação de Rua


O aumento do número dos moradores de rua afeta todos os aspectos da vida urbana. Desde sempre, as empresas privadas tem escapado do escrutínio da forma negativa e por vezes violenta de como sempre lidaram com o problema. Porém, com a força das redes sociais, a exposição negativa de algumas marcas tem feito muitos empreendedores repensarem a maneira como os negócios devem abordar um problema que é de todos, não somente do Estado e dos indivíduos. 

Na cidades com grande população de sem-tetos, a maioria deles vivem nas ruas e não em abrigos.

Eles povoam as marquises e fachadas, se alimentam e fazem suas necessidades nos becos e vielas, sobrevivem às custas das lixeiras reviradas, do que é deixado para trás e muitos, para alimentar algum vício, chegam a recorrer a pequenos furtos e roubos. O Estado, pelo menos no nosso país, sempre abordou o problema dos sem-teto sob um viés muito mais punitivo do que inclusivo, removendo-os forçadamente de locais de alto impacto comercial e bairros de elite sob a ingerência de setores empresariais. 

Em outros países, o Estado até consegue promover ações mais inclusivas como chuveiros em bibliotecas públicas, abrigos em estações de metrô, vales alimentação em restaurantes, etc. Contudo, mesmo em países social e economicamente mais desenvolvidos o setor privado ainda carece de “empatia” no tratamento dos moradores de ruas.

Na cidade de Nova York, por exemplo, dois empregados da rede Dunkin Donuts foram demitidos no ano passado por oferecerem água a um sem-teto. No mesmo ano, um gerente de uma das lojas Starbucks, na Philadelphia, chamou a polícia por conta de um suposto sem-teto que estava esperando um amigo chegar dentro da loja. Ambos os casos geraram comoção e um tuitasso de boicote às marcas nas redes sociais. 

Acima, um tweet sobre o ocorrido na loja Starbucks.

Como já era de se esperar as redes que foram expostas e acusadas pela falta de empatia e consciência social se desculparam pelos ocorridos, mas ainda sim, subsiste a pergunta: como o setor privado, em especial, o varejo, deve lidar com aqueles que não tem onde morar? 

Bem, selecionamos aqui alguns exemplos de negócios que souberam ser inclusivos no tratamento dos moradores de rua sem sacrificar seus potenciais econômicos…

1. LAMON LUTHER

Para ser contratado pela norte-americana Lamon Luther é preciso ter no currículo a difícil realidade de morar na rua e é claro, a vontade de sair dela. A marca vende móveis feitos apenas com madeira reciclada e pelas mãos de moradores sem-teto. Desde 2012, o negócio social do já soma mais de 78 mil horas de trabalho oferecidas a moradores de rua e 108 toneladas de madeira reciclada.

2. ENJOY DISTRIBUIDORA

A Enjoy Distribuidora fornece água e açaí na grande São Paulo e assim como a Lamon Luther também tem a premissa de empregar somente pessoas que vivem em situação de rua. Além disso, a empresa ainda possui parcerias com projetos sociais dedicados aos sem-teto como Cambucci Solidário, Anjos da Leste e o Grupo Amor. Através desses projetos é possível doar água para pessoas em situação de rua.

Acima, moradores de rua recebem doação de água da Enjoy.

3. TWO BIG BLONDES / THE PLEDGE

A marca de vestuário de Seattle (EUA) Two Big Blondes decidiu fazer algo bastante incomum (diria nunca antes visto) no varejo que é permitir a entrada de moradores de rua em sua loja. Dentro da loja, eles podem experimentar roupas e fazer tudo que os clientes normalmente fazer levando para casa peças de roupas doadas pela loja. A empresa faz parte da iniciativa The Pledge, da qual hoje fazem parte mais de 40 empresas que se comprometeram a oferecer gratuitamente água, banheiro, cortes de cabelo, roupas, dentre outros bens e serviços à pessoas em situação de rua.

4. SOCIAL BITE

As lojas da rede escocesa Social Bite abrem de terça a domingo para o público pagante e convida cada um dos clientes a deixar pago para um sem-teto uma refeição ou uma bebida. Com o dinheiro arrecadado, os cafés abrem as segundas-feiras para o público não-pagante: moradores em situação de rua, que são servidos como qualquer outro cliente.

5. GREATER CHANGE

Greater Change é uma plataforma de doação permite que doações sejam feitas pelo celular de quem esteja disposto a contribuir. O projeto dá crachás a moradores de rua dispostos a mudar de vida. O crachá vem com um QR Code que quando é lido pelo smartphone, leva o usuário a um site que mostra a história da pessoa em situação de rua, suas metas de vida e um botão para doação.

6. UNLOCKED

Unlocked é uma joealheria que empresa muheres em situação de rua. A empresa decidiu não somente empregar essas mulheres mas também oferecer casa temporária, educação financeira e consultoria de carreira.

Acima, uma das funcionárias, ex-moradora de rua, da joalheria.

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