NO TRABALHO

Diversidade: Os Novos Negócios Voltados Para o Mercado LGBT no Brasil


É no mínimo trágico que um dos países mais homofóbicos do mundo tenha o maior mercado LGBT da América Latina e um dos maiores do mundo. No Brasil, a cada 25 horas uma pessoa LGBT é assassinada.

O Brasil é o país que mais mata LGBT’s no mundo

Se por um lado, o país atravessa uma espécie de onda conservadora de ódio e violência contra LGBT’s, por outro, muitos empresários enxergam no mercado LGBT um potencial enorme de um público que busca cada vez mais afirmar a sua existência.

Acima, o comercial do Burger King estrelando a drag queen Anny B (2017)

Trata-se de uma tendência crescente: só nos últimos 4 anos, grandes marcas como Boticário, Natura, Skol, Burger King e Avon dedicaram milhões em campanhas publicitárias voltadas para o mercado LGBT. Contudo, diante de estatísticas que mostram que o mercado LGBT chega a consumir 3x mais do que os demais nas mesmas faixas etárias, tais iniciativas são vistas por muitos como oportunistas, afinal, de nada adianta ganhar dinheiro às custas de uma causa social e nada fazer para melhorar a vida dessas pessoas, cada vez mais ameaçada.

A marca de cerveja Skol lançou neste ano, um edição comemorativa em homanagem ao Dia do Orgulho Gay.

Isso significa em poucas palavras que não adianta só falar, é preciso fazer algo. Com raras exceções como a Google, a Amazon, a Pay Pal (trataremos delas nas próximas listas) a maioria das grandes empresas, principalmente no Brasil, são ambientes extremamente hierarquizados, com padrões de comportamento e vestimenta rigorosos, pouca representatividade e muitas vezes hostis à mulheres e LGBT’s. Isso tudo dificulta , inclusive, a formulação de novas estratégias e insights voltados para o mercado LGBT.

É aí que o ambiente de startups se destaca. Mais horizontais e inclusivas, as startups já nascem com propostas inovadoras e criativas, muito mais dispostas e comprometidas a causas sociais.

Abaixo seguem algumas dessas startups brasileiras voltadas para o mercado LGBT:

1. GO FRIENDLY

A GoFriendly é uma plataforma colaborativa de avaliação de lugares LGBT-friendly, reservas e trocas de experiências entre pessoas LGBT. Desse modo, é possível avaliar lugares baseados em critérios de inclusão, segurança e respeito à diversidade.

2. THESAME

A TheSame é uma loja virtual totalmente voltada para o mercado LGBT e vende presentes personalizados: roupas, artigos de decoração para a casa, artigos de papelaria, dentre outros. A ideia é promover o respeito à diversidade e encorajar o orgulho de ser LGBT.

Acima, o depoimento da Camila, sócia-fundadora da TheSame

3. HAIR PERUCAS

Fundada há 4 anos, a Hair Perucas oferece uma variedade de perucas, tanto para o público feminino, quanto para drags e transgêneros. O objetivo é fazer com que as pessoas se sintam bem e capazes de ser quem elas desejam.

A cantora Pablo Vittar é uma das modelos que ajudam a promover a marca

4. SONDER

Sonder é um aplicativo de viagens totalmente voltado para o mercado LGBT. O aplicativo apresenta conteúdo e experiências de viagens pensadas para a comunidade LGBT. Nele, é possível reservar passagens, hotéis, além de compartilhar e qualificar os melhores destinos gays do mundo todo.

Acima, um vídeo da Sonder apresentando alguns dos melhores destinos em Seychelles.

5. TODXS

TODXS é a primeira startup social brasileira que promove a inclusão LGBTI. A missão deles, é empoderar a comunidade LGBTI, educando a sociedade por um país mais inclusivo. O aplicativo da TODXS oferece proteção contra a homofobia através do acesso à informação de forma prática, rápida e eficaz sobre leis, portal de denúncias e mapa de organizações LGBTI. Além disso, a startup também oferece consultoria para empresas focadas em construir um ambiente mais diverso e inclusivo.

6. CAMALEÃO

A Camaleão é uma startup que conecta talentos LGBT com empresas éticas e inclusivas. Segundo sua fundadora, Maira Reis, muitas empresas só estão interessadas em se tornar unicórnios e não se importam com a causa LGBT. A ideia da startup surgiu depois de várias experiências negativas em processos seletivos de grandes empresas.

7. COLETIVO DE DOIS

O casal Daniel Barranco e Hugo Mor procuram traduzir nas peças de vestuário que criam para a Coletivo de Dois , seus ideais e vontades. A ideia é fazer uma moda completamente autoral, fugindo das tendências, que refletem aquilo que os seus criadores gostariam de ver nas pessoas e usar.

Acima, os sócios proprietários da Coletivo de Dois, Hugo e Daniel

8. LOGAY

Quando esteve no Canadá, o empresário Henrique Chirichella conheceu várias lojas voltadas exclusivamente para o mercado LGBT. Ao voltar para o Brasil, ele decidiu apostar no mercado, criando a Logay, uma loja virtual que vende roupas, acessórios e objetos de decoração para a comunidade LGBT e simpatizantes.

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