NO TRABALHO

As Empresas que Estão Mudando o Significado de “Black Friday”


Semana passada aconteceu a Black Friday, o dia mais importante do ano para o varejo no mundo todo, um dia em que se celebra o consumo, os enormes descontos nos preços dos mais variados produtos e serviços, a fartura, o excesso.

A Black Friday representa nada mais do que a exacerbação de uma cultura já presente de consumo e desperdício

 

Talvez pela abundância de recursos naturais ou a forma como nos colocamos diante da natureza, vivemos uma cultura que nos leva ao consumo excessivo: a cultura do desperdício. Já vivemos em um mundo que desperdiça 30% da sua produção de alimentos prontos para o consumo e produz quantidades recordes de lixo eletrônico a cada ano: o que é a Black Friday perto disso, realmente?

A Black Friday nada mais é do que a exacerbação dessa cultura, uma espécie de capitalismo “on steroids”, o que faz com que certas práticas predatórias comuns tais como submeter funcionários à jornadas de trabalho exaustivas ou “maquiar” promoções sejam muito mais notáveis em meio ao frenesi que ocorre nesse espaço curto de tempo, assim como, o próprio desperdício.

 

Segundo o Greenpeace, em 2017, a Black Friday produziu cerca de 50 milhões de toneladas métricas de lixo eletrônico. Menos de 16% foi reciclado (Fonte: The Huffington Post)

 

Lixo eletrônico, vans de entrega movidas a diesel, mais plásticos jogados no oceano. As consequências da cultura do desperdício se tornam mais escancaradas na Black Friday, o que torna o momento também oportuno para propor uma transformação cultural. O melhor exemplo disso é o Dia Mundial Sem Compras (Buy Nothing Day), criado pela revista canadense AdBusters em 1992, que até hoje vem ganhando cada vez mais adeptos.

 

 

Segundo pesquisa realizada pela revista The Tylt, com leitores entre 20 e 36 anos no Twitter, a geração Millennial está cada vez mais frustrada com a Black Friday e já enxergam a data como um espetáculo grotesco e uma afronta ao convívio social. Deste lado, embora ainda minoritário, também estão começando a surgir algumas empresas, que nos últimos anos começaram a aderir ao movimento em favor de um consumo mais consciente e contra a cultura do desperdício aproveitando a data para manifestar os valores socioambientais de suas marcas.

Dentre elas estão:

 

1. PATAGONIA

A empresa decidiu neste ano doar 100% de todas as vendas realizadas no período da Black Friday para organizações que suportam causas ambientais. Uma grande maneira de mostrar o espírito da marca Patagônia.

 

 

2. JIGSAW

A marca de vestuário inglesa, durante a Black Friday de 2017, publicou um manifesto no seu site de compras para deixar claro para os seus consumidores que não haveriam descontos. Segue o manifesto abaixo:

 

 

 

3.  FARM

A marca de vestuário brasileira não exatamente ignorou a Black Friday mas buscou uma alternativa diferente de  entrara na promoção, revertendo parte dos valores das vendas para organizações que atuam no reflorestamento da Amazônia e da Mata Atlântica. A alternativa foi batizada de Green Friday.

 

 

 

4. BASICO.COM

Já a Basico.com decidiu aproveitar a data de maneira mais ousada com a campanha Black Friday Transparente, onde o consumidor escolhe o preço que quer pagar pelo produto dentre três opções que expõem para ele os gastos envolvidos na produção daquela peça.

 

 

 

 

5. REI CO-OP

A marca norte-americana de artefatos esportivos de camping, trilha e ciclismo decidiu ir ainda mais longe, literalmente fechando suas lojas durante a Black Friday na campanha #OptOutside que pretende estimular que as pessoas passem mais tempo ao ar livre e interajam mais com a natureza. Os funcionários da empresa ganham o dia livre e os pedidos online não são processados.

 

 

 

6. NOAH CLOTHING

A jovem marca de vestuários nova-iorquina Noah Clothing seguiu o mesmo caminho da REI e decidiu fechar a sua loja durante a Black Friday (que nos EUA é feriado). Se o consumidor visitar o site da loja nesse período irá ler o seguinte testamento da marca:

 

 

 

 

 

 

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